1/28/2012

Escorrência

Escorrência

Poesia é um tinteiro derramado
É onde o coração toca o papel
É o interior que escorre alado
Conceito pintado num pincel.

Sentimento que grita e silencia
Poesia é um tinteiro derramado
É força em chama que gerencia
As cordas do coração acordado.

É letra; Um verbo despontuado
Simples, um possível escrever
Poesia é um tinteiro derramado
Um impossível que se pode ler.

Poesia, respiração de sentimento
O ser por inteiro na folha jogado
Tudo de dentro ateado com vento
Poesia é um tinteiro derramado!
Raquel Ordones
Uberlândia MG 27/01/2012

1/27/2012

Fogo em mim


Fogo em mim

Sinto na pele
ardor indistinto
busco a mão, bem leve
vejo olhar tão bonito
e o risco...

Preciso dos dedos
agarrados à cintura
lábios nos ouvidos
despir a armadura
e do vício...

Quero a língua
mais encaixada
então ficar louca
merecer a 'pegada'
estar desvairada...

Desejo a noite
imortal madrugada
obedecerei o açoite
se então for escrava...

desejo a vida e sua morada
arde em mim a chama
fogo que deforma e mata.

Dhenova






1/26/2012

MEU TECLADO

Um amigo quase salvou meu mundo
Caído
Absurdo
Tirou da minha pele o medo .

Deixou meu vazio de vidro
Preenchido em lindo quadro
Deu uma luz na realidade
Teclei sem letreiro na parede .

Algumas folhas das conversas
papos
ficararm nas lembranças..

Da minha tela
janela
Olho o teclado , absorto .

Ana Maria Marques
Janeiro /2012

1/25/2012

Quando enxergo

...

Quando enxergo


Ao redor
a mentira me espreita
percebo a distância
sutil problema
cumplicidade desfeita
por que tanta gana
necessidade de ser aceita?

Ao redor
a loucura me engana
esqueci o endereço
doem-me os dramas
cada um com seu preço
não aceito a sanha
mas ainda entendo...
e vejo a trama
sem final...

(entristeço)

trama tão clara
em tantos remendos
pedra bruta quebrada
e, ao redor, me conheço...

vejo tanto

Ao redor
a ira fere, machuca
vejo tanta carência
beirando à leviandade
não quero a premissa
cansei da boa vontade
malícia? não, só verdade.

Ao redor,
as fissuras dos tantos muros
paredes verdes de limo
caíram por terra os puros
e há só o vazio...

Ao redor me curo, quando enxergo luz.


Dhenova

1/24/2012

Faces de uma saudade

No peito faces de uma saudade
De um tempo que eu fui feliz :
Lua , alegria , contato , claridade
Chama ardente de um amar aprendiz .

Tu e eu tínhamos uma amor verde
Sem caminho feito em bissetriz
No peito faces de uma saudade
Fua tua na cama sem ser atriz .

Por isso , amor , tu não me conhece
Ainda não fiz tudo o que o corpo diz
O amor bate forte , aquece
Esse desejo por um triz
No peito faces de uma saudade .

Ana Maria Marques
Janeiro /2012


Húmus da terra

Quando entra o mês de Janeiro
no sertão Nordestino
quem tem roçado
sofre
sem compaixão
Sem chão
molhado
sem previsão
de chuva
sem milho
feijão
há apartação
Vive o sertanejo
de barriga vazia
louvando ao Padim
Ciço
mais húmus
para terra
pedindo um céu
cinzento
e ouvir
um trovão .

Ana Maria Marques
Janeiro /2012



QUANDO A VIDA CALA

Vejo o céu cinzento
sem tom
sem cor
Pinto
Repinto
uma nova aquarela
para mim
A vida é tudo
apesar das marcas
arranhões
cicatrizes
Outra força
inunda
meu
coração
Faço
um
caminho
de flores
Sepulto
uma semente
perdida
sobre
a terra
- O sol faz
o milagre
de um
novo
dia
para
Ana
Maria .

Ana Maria Marques

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