2/27/2012

A dança do arcoíris


A dança do arcoíris

no leito
pernas abertas
o beijo casto
várias promessas

meio sem jeito
a moça espera
virginal, no leito
as pernas abertas

moça espera
o fio da espada
fincada no âmago
a moça aguarda
moça mulher
o brilho solar
no leito
pernas abertas
na cavalgada

mulher guerreira
encontra-se, se acha
aguenta o tranco
prazer em ser caça

caçadora nata
aguenta nas ancas
preservação da raça

arcoíris que dança
passeia pelo íntimo
explode em luzes

e amanhece a noite.


Dhenova

2/23/2012

Tragicomédia

Tragicomédia


Quem dentre todos tem a voz mais alta? Aquele que esbraveja e com ferro fere


falando das verdades que ele com alma profere...


Ou aquele que com açúcar mela os olhos alheios de verdades infundadas de medos descabidos?


Ha na vida o intuito de ser ...e sendo, não se mede o alto som do grito,


tornam-se melodia as notas que harmonizam-se, mais que os batuques em baterias surdas.


Humanos que artistas dizem-se...erram a pincelada em movimentos híbridos.


Quem suja o avental na tinta ocre que escorre da própria boca? Aquele detrás da máscara de ferro


que não tem nada, além de uma palavra tosca, tola e louca... e um berro... que com alma profere, enquando fere.


Ou aquele que com açúcar mela os botões das flores para atrair insetos trabalhadores?


Fazem-se poesia de pleno sentido, daquele grito retido, da voz mais alta que emerge de gargantas mudas.


De humanos se fazem artistas... que erram os conceitos do nada nos momentos críticos.


Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk

2/20/2012

Nova

Nova

Mulher
contemporânea
quer
a gana
o encanto
instantânea

sem pranto
com lama
com graxa
nova mulher
mais macha
com graça

consome
seu homem
com fome
com silicone
nos peitos
perfeitos

mulher
em mulher
pode ser
pode ter
como quiser
se quiser

mulher
agora
outra fauna
outra flora
sem desgraça
à forra.

(Leandra Lopes)

2/15/2012

Evisceração

Espere pela volta das borboletas na poeira do tempo
Espere por aquele olhar a se projetar entre estilhaços de angústia
Espere pela nuvem de gafanhotos-devoradores-de-horizonte
Mas não vá, fique um pouco mais, ainda há muito o que esperar
E não me deixe plantado neste inferno cor-de-rosa sem um porquê

Eu bem que queria lhe dizer que a lágrima não se mostra
Por puro orgulho
Eu bem queria lhe mostrar
Esta jugular que pulsa no aguardo de uma nova mordida
O que se esconde neste brilho que já não há
E revelar aonde a lua se ocultou e dormem as estrelas

Fique um pouco mais
Só um pouco mais
Sinta o som do mar
Sinta o som
O som do mar
E o som
Do Sol
E o Sol
No mar
Fique um pouco mais

Queime comigo nossas verdades douradas e as mentiras azuis
Não minta mais para o azul
Ou para o vermelho
Espalhe algumas verdades transparentes sobre a mesa
Diga para mim desta ferida
Daquela esperança forjada em frases insolúveis
Do impossível e do improvável que já vivemos
Que eu prometo
Que eu lhe juro
Pela divina providência dos semideuses
Estancar este corte que vaza minhas vísceras
E partir

(Celso Mendes)

2/14/2012

A passarada vista da varanda

 

A passarada vista da varanda

 

há poeta que teima 

em ver poesia

onde poesia já não existe

 

escrita sob demanda 

não há mais chegada

e nem despedida

beijo de entrada 

ou até de saída

quase sempre desanda

mas nunca desiste

 

há poeta que teima

que pássaro passa o dia

ouvindo canções tristes

em vez de cantar ciranda

 

acomodado na varanda

vê toda a passarada

jogar sementes de vida

e acha sentido no nada

coisa mais que sabida

sempre se encanta

e resiste resiste...

 

Wasil Sacharuk

2/10/2012

Quando a lagoa reclamou sua pérola

Quando a lagoa reclamou sua pérola

 

Debaixo daquela árvore 

passaram as águas

eram escuras e tantas 

se enfiaram em tudo

como sumanta de açoite

invadiram a noite

num canto surdomudo

 

Debaixo daquela árvore

misturam-se os medos

as vidas lavadas na frieza 

deixaram revelar os segredos 

e outras histórias na correnteza

 

Debaixo daquela árvore 

depois que as águas haviam passado

eu fui até lá outro dia

e fiquei ali sentado

a escrever poesia 

e o que havia sobrado

 

Debaixo daquela árvore 

vi que passou tanto amor 

e a força da superação 

dessas raízes fincadas 

com o brio da reconstrução

 

Debaixo daquela árvore

se escondem do sol

os veranistas.

 

Wasil Sacharuk

 

2/07/2012

Recordarás talvez

Cada minuto vivido foi único
Murmúrios ainda ecoam na alma
Neste momento para que manter a calma?
Se tudo parece sem sentido

Ainda vestido contemplo a cama
Passa pela minha cabeça um filme
Tantos belos momentos vividos neste cenário
Tudo agora arquivado na pasta do passado

Não sei onde te encontras, nem com quem estas
E nestes “que tais”, restaram somente sombras
De quem te amou, talvez pouco demais
E acompanhou o apagar imponderável desta chama

Tudo agora perdeu a importância
Talvez um dia possamos reacender a fogueira
Se não for possível ainda nesta vida
Que seja numa próxima vindoura.


(Chico Córdula)

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